Skank

às 23h30

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“Velocia” pode ser encarado de cinco formas diferentes. É o primeiro disco de músicas inéditas do Skank em seis anos; é o álbum que melhor traduz os anos de história da banda; é o disco que, por passear pela carreira toda do grupo, soa deliciosamente contemporâneo e familiar à primeira audição; foi concebido dentro do estúdio, de modo orgânico, sem conceitos pré-determinados; é o disco do Skank de todas as fases. Por (tudo) isso, vamos enxergá-lo por meio das lentes do próprio Skank.

Lá pros anos 1990, o dancehall, reggae, raggamuffin e rock viraram o cartão de visitas do grupo em álbuns como “Calango”, “O Samba Poconé” e “Siderado” — muito naipe de metais, batidas dançantes. Contudo, na virada de milênio, ousaram uma nova trilha, mais psicodélica, menos eletrônica, com “Maquinarama” e “Cosmotron”. Até mesmo “Carrossel”, de 2006, traduziu bem essa nova disposição do quarteto.

Ambas as fases muito bem desenhadas, muito bem sucedidas. Estão aí de “Jackie Tequila” e “Garota Nacional” a “Balada do Amor Inabalável” e “Vou Deixar” que não me deixam mentir. Para “Velocia”, porém, entraram no estúdio apenas com a fome que cinco anos afastados desse lhes dava. A capitania de Dudu Marote, que trabalhara com o grupo nas duas fases, foi uma mola propulsora, já que entendia empiricamente a dinâmica da banda para poder extrair o melhor dos dois mundos. Dudu dividiu a produção com Renato Cipriano, engenheiro de áudio que já vinha gravando o grupo desde Cosmotron. Na escalação, a parceria de composição de Samuel Rosa o levou a se aproximar mais de Nando Reis. E vieram figuras novas na história do grupo, como Lucas Silveira, com quem divide uma música, Emicida (duas) e Lia Paris.

A fórmula fica fácil de ser lida assim. Mas é melhor aproveitada na audição.

Abre com “Alexia”, um som gordo, suingado, assobiável, dançante, elementos brasileiros no assento dianteiro e que narra…uma partida de futebol. Mas sob viés moderno, afinal homenageia a atacante do time feminino do Barcelona que na final da Copa de la Reina, contra o Zaragoza, fez um gol imortal e só não entrou com bola e tudo porque teve humildade. Esta emenda com “Multidão”, um reggae que mistura explosivamente rock com reggae e ragga e participação de BNegão.

“Do Mesmo Jeito” tem cara, tronco e membros de single, naipe de metais e rock pra cima no estilo “Vou Deixar”, em parceria de composição com o líder da Fresno, Lucas. O microfone é dividido com Lia Paris em “Aniversário”, um synthpop/electrorock que havia sido composto e estava à espera de harmonia feminina no vocal. O ecletismo mostra os dentes no trio seguinte da parceria de Samuel com Nando Reis – “Ela me Deixou” é um reggae com e de raiz, enquanto “Esquecimento” é Canção com letra maiúscula e “Périplo” é pop rock dançante.

No registro, o grupo optou por uma ponte entre Belo Horizonte, onde registrou no estúdio Máquina, e Londres, no lendário Abbey Road, onde Rob Mathes, arranjador dos últimos discos de Sting e Bruce Springsteen, gravou os metais e cordas. De lá, “Velocia” ainda fez uma escala em Nova York, onde foi mixado no estúdio Avatar, responsável por alguns dos principais discos pop atuais.

Calma que ainda tem mais uma parada internacional, já que a arte da capa foi feita a lápis e aquarela por Oriol Angrill Jordà, artista espanhol de Palma de Mallorca. De volta ao disco, Emicida marca presença dupla, no synthpop “Rio Beautiful” e no rocksteady “Tudo Isso”. Entre elas, “Galápagos”, em climão de road movie, e o rock eletrônico “A Noite”.

Todo o conceito do trabalho se resume no título. Samuel filosofa sobre a ansiedade de lançar um disco novo — mesmo com tanto solado gasto na estrada e hits nas costas. “Fico considerando a diferença de lançar um disco em 2014 e em 98, por exemplo”, diz. “E esse conceito de tempo e espaço, e o quão as coisas estão mais rápidas, quanto as informações são mais velozes, quanto entramos numa era de velocidade.”

Por sorte, ou melhor, por talento, a qualidade não muda com isso. “Velocia” é o atestado.

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