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Seminário Green debate importância da preservação do Cerrado e abre as atividades do Green Move Festival 2016

Ocupação irregular do solo é um dos grandes desafios, mas palestrantes afirmam que a sustentabilidade não vai contra o desenvolvimento econômico.

O primeiro ciclo de palestras, que ocorreu nesta sexta-feira (7) no auditório do Museu Nacional da República, debateu sobre a importância da preservação do Cerrado, as consequências da extinção do bioma e os principais desafios enfrentados atualmente. A ocupação irregular do solo, por meio da expansão de territórios habitacionais foi destaque na fala dos palestrantes do Seminário Green, que pontuaram que a preservação não é contra o desenvolvimento econômico.

A banca contou com a presença do presidente da Fundação Mais Cerrado, Bruno Mello, da promotora de Meio Ambiente do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), doutora Marta Eliana de Oliveira, do deputado Chico Leite e da bióloga representante da Consultoria Legislativa da Câmara, Roseli Ganem.

Segundo a promotora Marta Oliveira, o Distrito Federal (DF) sofreu décadas de ocupação irregular do solo sobre nascentes e veredas, causando o assoreamento de rios e contribuindo para a atual crise hídrica na região. Ela defende o direito à moradia, desde que exista condições de sustentabilidade ambiental. “Brasília é o berço das águas e o nosso trabalho é para que o Cerrado não se transforme num túmulo”, enfatizou.

De acordo com a bióloga, o Cerrado é a savana com maior nível de biodiversidade no planeta, influenciando em mais de 90% na produção hídrica do Rio São Francisco e de outras grandes bacias hidrográficas brasileiras. Entretanto, apenas 3% de áreas do Cerrado são totalmente protegidas, segundo ela, mesmo o bioma sofrendo mais com o desmatamento do que a Amazônia. “O cerrado está caminhando para ter seu espaço territorial reduzido ao nível da Mata Atlântica, que é de 20%”, explicou. Para ela, é preciso ampliar as áreas de proteção.

Em relação à expansão econômica, os seminaristas concordaram que a visão de dicotomia entre o crescimento e a sustentabilidade é prejudicial para a proteção do Cerrado. “Quando a gente defende o meio ambiente, a gente está defendendo a vida. Agronegócio não existe sem água”, esclareceu à promotora.

Como solução para o problema foi sugerido o uso de novas tecnologias, extrativismo rural e o ecoturismo. A educação ambiental também foi apontada como essencial para o desenvolvimento de uma nova consciência na sociedade. “É importante refletir, mudar nossa postura e reivindicar nossos direitos. Não há mais tempo para esperar”, enfatizou o presidente da Fundação Mais Cerrado.

Para o deputado Chico Leite, a ação individual é muito importante para mudar a cultura e proteger o bioma. “Nós não vamos conseguir mudar todo o mundo, mas podemos mudar o mundo de quem convive com a gente”, declarou.

Angélica Nunes
Jéssica Dantas